"Selos Recebidos"

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quarta-feira, 10 de março de 2010

"Tempo.. Amigo"


Já tem algum tempo.
Que deixou de viver a meu lado a verdade que ainda existe em mim.
Já tem algum tempo.
Que nada sei a seu respeito, com quem anda ou com quem esta.

Sim já tem algum tempo.
Que tento sucumbir estes pensamentos enfadonhos.
Já tem algum tempo.
Que desejo não ter lembranças a seu respeito.

Sim tenho tentado.
A todo tempo tentado me convencer que fora apenas um devaneio.
Um sonho, uma ilusão, uma criação minha.

Sim já houve um tempo.
Um tempo em que não precisei saber de ti.
Um tempo em que viver não doía tanto assim.

Foi se o tempo.
O tempo que torcia para não passar.
O tempo em que contava os segundos para lhe ver chegar.

Que tempo foi este?
Estive perdido nele ou acabei me perdendo para sempre?

Como pode?
Como se pode ter algo tão perfeito, e num piscar de olhos tudo desvanecer?

Havia um tempo.
Um tempo nesta vida que tive com quem conversar.
Havia um tempo.
Um tempo em que apenas de uma vida quis participar.

Disse-me para não tentar apertar a areia que estava em minhas mãos.
Pergunto-lhe, de que adiantou?
Se a concha que formei com as mãos não resistiu aos ventos.
Pois suas mãos não estiveram sobrepostas às minhas,
para proteger o que nesta vida tive de mais valia.

Se o tempo é aliado, que seja breve então;
Assim, de lembranças não revivo uma paixão.
________________________________________
Se o tempo é aliado, cicatriza;
E faz desaparecer a dor desta ferida.

Não seja piedoso, tempo amigo;
Não permita existir saudades,
nesta vida que não mais encontra abrigo.

Seja breve, seja rápido
E encerre de vez este torpor.
Que por sí só ja encerrara a vida deste sonhador.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

“Do grão que fere ao belo que encanta...”

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Incrível como algumas cicatrizes permanecem inertes em nosso intelecto.
Refiro-me a seqüelas que não são visíveis, mas que nos impede de muitas coisas, cicatrizes que são invisíveis aos olhos, mas nos corrói a alma, normalmente são causadas por acreditar em sonhos que dividimos com alguém.
Sabemos que estas “dores” ou “seqüelas” não passam de metáforas, mas nos parecem muito reais.
Convertem-se em lágrimas, em apertos no peito em insegurança e descrença.
Por vezes gera certa revolta, não focada, ou seja, revolta-se com tudo e com todos como se fosse um escudo, com intuito de se privar de sentimentos.
E por vezes esta revolta afeta pessoas que lhe rodeiam, que nada tem a ver com seu sofrimento ou a seqüela que deixaram em você.
Como na voz de Renato Russo em “Mais uma vez”
“Tem gente que esta do mesmo lado que você, mas deveria estar do lado de lá.”
“Tem gente que machuca os outros, tem gente que não sabe amar...”
Se deixarmos de dar atenção ao que realmente somos e passar a dar atenção maior a estas seqüelas ou cicatrizes, passamos para o outro lado (viramos a casaca).
Imaginem que esta pessoa que o feriu, ou melhor, o sentimento que o feriu seja uma gota de óleo, que acidentalmente caiu em seu mar (alma), se permitir que permaneça lá esta pequena gota irá afetar toda água e por fim tornará o que era límpido em turvo.
O que tento dizer é que este sentimento é pequeno demais para deixarmos com que afete todo nosso ser.
Notem, não estou dizendo que é fácil se livrar de mágoas e sim dizendo para não desistirem.
Vamos tentar nos imaginar como sendo ostras que ao receberem os grãos de areia que as machucam se concentram em não permitir que este grão continue a machucá-la.
E depois de um trabalho árduo (interno), ela transforma este grão de areia áspero e pontiagudo em algo liso e bonito, esta chamada pérola.
Claro que se torna algo palpável, bem diferente de nossas seqüelas, mas a idéia é justamente esta, não permita que um sentimento ruim seja o poluente para toda sua essência, leve o tempo que precisar,  pois a própria ostra leva em média oito anos para realizar todo este processo. Certamente levaremos muito menos para transformar “nosso grão de areia” em uma bela pérola.
   * Do what I say, never what I do.  - By Hamilton H. Kubo

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Feriu e usou-me como quis, deixou a ferida no lugar do alento;

Mesmo assim, ferido e abandonado, continuo em pé, resistindo às marés.

Para um dia lhe estender a mão e ajudar-lhe a levantar quando precisar.



26/11/2009                                       


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