"Selos Recebidos"

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terça-feira, 8 de junho de 2010

"Pela Janela"

Mudei a imagem para dar mais sentido ao escrito.

Aqui sentado observo pasmo, na janela que tudo avista.
A beleza doutro lado na calçada cheia de vida e pouco vista.
Das pernas alvoroçadas a atravessar escadas, cheias de pressa todas em demasia.
Nem ao menos passam em caminhada para observar o que nascia.
São flores ali meus caros, que cuida aquela bela senhoria.
Que traz toda manhã límpida água para fazer bem feitoria.

Aqui sentado novamente pasmo observo a vida.
Quanta correria mais precisa o homem em seu dia-a-dia?
Já não basta ter o horário que não passa estando isolado?
É tanta demência, viver assim trancafiado.
Distante da vida que se pronuncia, mas o homem teima e ouve calado.

Aqui sentado observo pasmo, na janela que tudo avista.
Aquela doce senhoria que após longa data descobriu o que é vida
Apenas agora com seus custos passos é que chega até a flor que brilha.
Quanta vida existe ali, na calçada ignorada!

Aqui sentado cabisbaixo, mas ainda pasmo.
Noto que não a calçada é quem esta sendo ignorada
Ignoram-se a vida que vem e que passa, mas logo se acaba.
Ignoram-se o viver que é pouco pode crer em troca de uma hora isolada.

Aqui agora de pé, fecho a janela e saio a passos calmos
Pois tal como as pernas alvoroçadas,
Descobri muito tarde quão calmo deveriam ser os passos.


quinta-feira, 26 de novembro de 2009

“Do grão que fere ao belo que encanta...”

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Incrível como algumas cicatrizes permanecem inertes em nosso intelecto.
Refiro-me a seqüelas que não são visíveis, mas que nos impede de muitas coisas, cicatrizes que são invisíveis aos olhos, mas nos corrói a alma, normalmente são causadas por acreditar em sonhos que dividimos com alguém.
Sabemos que estas “dores” ou “seqüelas” não passam de metáforas, mas nos parecem muito reais.
Convertem-se em lágrimas, em apertos no peito em insegurança e descrença.
Por vezes gera certa revolta, não focada, ou seja, revolta-se com tudo e com todos como se fosse um escudo, com intuito de se privar de sentimentos.
E por vezes esta revolta afeta pessoas que lhe rodeiam, que nada tem a ver com seu sofrimento ou a seqüela que deixaram em você.
Como na voz de Renato Russo em “Mais uma vez”
“Tem gente que esta do mesmo lado que você, mas deveria estar do lado de lá.”
“Tem gente que machuca os outros, tem gente que não sabe amar...”
Se deixarmos de dar atenção ao que realmente somos e passar a dar atenção maior a estas seqüelas ou cicatrizes, passamos para o outro lado (viramos a casaca).
Imaginem que esta pessoa que o feriu, ou melhor, o sentimento que o feriu seja uma gota de óleo, que acidentalmente caiu em seu mar (alma), se permitir que permaneça lá esta pequena gota irá afetar toda água e por fim tornará o que era límpido em turvo.
O que tento dizer é que este sentimento é pequeno demais para deixarmos com que afete todo nosso ser.
Notem, não estou dizendo que é fácil se livrar de mágoas e sim dizendo para não desistirem.
Vamos tentar nos imaginar como sendo ostras que ao receberem os grãos de areia que as machucam se concentram em não permitir que este grão continue a machucá-la.
E depois de um trabalho árduo (interno), ela transforma este grão de areia áspero e pontiagudo em algo liso e bonito, esta chamada pérola.
Claro que se torna algo palpável, bem diferente de nossas seqüelas, mas a idéia é justamente esta, não permita que um sentimento ruim seja o poluente para toda sua essência, leve o tempo que precisar,  pois a própria ostra leva em média oito anos para realizar todo este processo. Certamente levaremos muito menos para transformar “nosso grão de areia” em uma bela pérola.
   * Do what I say, never what I do.  - By Hamilton H. Kubo

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Feriu e usou-me como quis, deixou a ferida no lugar do alento;

Mesmo assim, ferido e abandonado, continuo em pé, resistindo às marés.

Para um dia lhe estender a mão e ajudar-lhe a levantar quando precisar.



26/11/2009                                       


quinta-feira, 5 de novembro de 2009

“Produto” Usar para não ser usado?

O que seria se tornar um produto do sentimento?
Acredito que de fato existam personalidades que se tornaram produtos, eu mesmo já tentei me tornar um "produto", do sexo feminino. Mas sem resultados... (risos)
Qual seria a definição deste termo?
Vejamos a passagem abaixo:
Imagine que uma pessoa é extremamente suscetível às emoções, e graças a esta personalidade vivencia romances de forma intensa, mergulhando profundamente, deixando-se flutuar a cada momento que vivencia algo ao lado de quem aprendeu a amar.
E como se tudo tivesse prazo de validade esse romance termina, não por que esta pessoa "emotiva" o quer, e sim pelo fato da outra pessoa simplesmente resolver impor um ponto final.
A partir deste momento o Mundo parece desabar, o chão some diante dos próprios pés...
Busca-se incessantemente por motivos e ou razões para o ocorrido, quando na realidade já se sabe qual é. O fim chegou, e não ha mais nada a fazer. Então, é aqui que alguns sofrem a mutação e se tornam produtos criados pelas emoções de dilaceração ou ate mesmo por conta da pessoa com a qual havia construído seus sonhos, e com isso passa a desacreditar de muitas coisas.
Impõe a si mesmo que passará a usar para não ser usado, ignora sentimentos, com o intuito único de não se machucar mais. Mesmo sabendo que com isso passa a ser a pessoa que fere, para não mais ser ferida.
E hão de convir comigo, existem pessoas assim, às vezes por um período, outras por toda vida. Aquelas que vivem um relacionamento de aparências, para tentar sanar alguma cobrança da própria sociedade, que se casam, mas nunca por completo.
O fato é que nenhuma pessoa na face da terra merece que mudemos por ela, temos que pensar no que aprender e não desaprender com o que passamos.
Como muitos dizem para tudo na vida existe uma razão. De fato existe; apenas se esquecem de complementar o ditado.
Pois por muitas vezes, podemos ser a razão para a vida de alguém em um dado momento, uma espécie de anjo terreno, que fora posto no caminho desta pessoa, justamente para ensiná-la algo ou simplesmente proporcionar lhe uma sensação que ate então desconhecia sua existência, por exemplo, poder ser amada de corpo e alma.
Portanto, a razão para se vivenciar um dado momento é real, mas sempre existem os dois lados de uma relação e nem sempre estamos apenas para aprender e sim também para poder ensinar.
Pensem nisso!
                  * Do what I say, never what I do. - By Hamilton H. Kubo
Como Flores
Quando essas vagas lembranças pelo tempo se esvaírem;
Quando este pequeno espaço em sua mente se extinguir;
Assim como eles deixe-me partir;
Que talvez, como flores
Na doce primavera hei de novamente surgir...
16/03/1998



Beijos e Abraços.

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