Se pelo amor era movido.
Pelo ódio passei a ser alimentado.
Não odeio a quem amei.
E sim a mim que não a soube ter.
Assim desvaneço dia após dia.
Vivendo uma vida vazia.
O amor que podia lhe dar, finda aos poucos.
Dando lugar a pesadelos de um louco.
Pois pela cegueira do amor fora dominado.
E é na escuridão abandonado que me reencontro.
Levou consigo a clareza da visão.
Restando-me apenas o breu da razão.
Quanto às palavras profanadas.
Estas ecoam em minha mente
Anunciando o firmamento desta morada.
Pois as palavras podem dar vida.
A inconsistência delas pode roubá-la.
Levaste consigo o brilho de um olhar.
Ao qual, espero iluminar as sombras,
Que por ventura seu caminho cruzar.
Quanto a mim, estanco este caminhar.
Pois sem o brilho nos olhos sou incapaz de enxergar.
A ti rogo felicidades.
E enquanto rezo.
Sinto e vejo a vida passar.
Não ouse zombar do que senti.
Tampouco relembrar que existi.
Deste amor que jamais se finda;
Torno-me amante do Mundo e também da vida.
Pois findo meus dias de amante seu.
Visto que o amor que lhe dei, na verdade sempre foi meu.
