Pobre o homem carente, vezes descrente
Diante da utopia que vislumbra em vida
Põe-se pensante diante de tantos sentimentos incessantes
Procura nos olhares entender um pouco sobre a vida
Vezes essa desprovida de sensações e emoções provindas de uma a quem querida
Pouco importa os lampejos de desejos
Estreitos esguios e imperfeitos
Duram pouco diante dos olhos para no fim se resumir em oco
O ócio dos pensadores, em pensar na vida e também nos amores
O ópio do poeta que morre e desperta na palavra vezes dispersa
O veneno da alma que seda e acalma
A adaga que tira a vida sem ao menos a carne cortá-la
É tanto palavrear que chego a temer
Uma vida inteira escrever sem o amor prover
Como se destinado a sentir profundo
Intenso transformado em palavras o amor propenso
Aquele esperado jamais chegado
Outorgado, postergado, deixado, findado
Nesta vida não em outra
Para viver da lembrança
E da escrita que jamais descansa
Assim, deixo o medo se alojar.
Pois temo pela vida escrever
Sobre o amor
Que pelo que parece jamais irei ter.
