O dia é anunciado por um sonoro toque.
Os olhos se abrem um tanto confusos.
E buscam foco na escuridão de um quarto.
O corpo ate então inerte começa seus movimentos.
Preguiçosos é verdade.
Mas não há escolha, precisa cessar o som que atordoa.
Agora o silêncio se mistura ao breu.
Os olhos pesados querem permanecer fechados.
Mas a consciência não permite.
Força os a manterem-se abertos
a fim de despertá-los.
O frio agora abraça o corpo.
Arrepia a alma.
Não há mais como evitar.
É preciso levantar-se.
O olhar busca uma claridade.
Mas busca em vão.
Pois tudo o que encontra é escuridão.
A consciência faz pensar.
E conclui que se trata de um reflexo.
Reflexo de um estado.
Os olhos vêem o que a alma sente.
O céu cinzento.
O vento gélido.
E as gotículas que caem sobre o asfalto.
São reflexos de uma alma.
Que não enxerga mais o que o coração teima em acreditar.
E assim se faz o dia.
Assim se faz a tarde e a noite.
Cada vez mais fria.
E no escuro novamente.
O sono entorpece o corpo.
E pede a mente que descanse.
Não relembre amores.
Pois neste momento.
As almas se fazem distantes.
Então cesse a visão.
Calem-se os pensamentos.
Pois agora neste leito.
Repousará outra alma sem mais desejos.
Assim se faz meu dia.
Assim vivo dia após dia.
Como se os dias atuais.
Refletissem meus desejos mais mortais.