Sabe aquele dia em que me viu chorar
Que me olhou nos olhos, mas logo desviou
Talvez, por não desejar guardar em sua mente o momento que me deixou
Agora mesmo após tanto tempo, os olhos se enchem em lágrimas de apenas lembrar
Custa-me acreditar que me fizera mergulhar
Em devaneio tão superficial com data certa a terminar
Quando mergulho, o faço para valer faço para vivenciar
Sentimento algum é capaz de definir a sensação de lhe perder
Pois não lhe perdi para a vida, mas lhe perdi para o viver
É triste saber de como tudo se transformou
Como o querer estar em tão breve tempo se acabou
Éramos simetria, éramos sintonia e juntos éramos sinfonia
Cúmplices do amor que em igual se vivia
Hoje, distante de tudo o que vivemos me pergunto:
Até que momento este amor lhe foi profundo?
Até onde lhe valeu tanto um mínimo segundo?
Quanto a mim, todos segundos se fizeram eternos
Todos os sentidos ao seu lado foram ternos
Agora a saudosa lembrança me assola
E se transforma em pergunta que aos céus decola
Serei capaz de amar outrem como lhe amei?
Serei capaz de fazer parar o tempo como contigo parei?
Da vida nada sei, mas pelo amor sobreviverei
Posso até deixar de me doar, mas sempre saberei do que se trata amar.
Pelo amor mergulhei e neste mergulho insano me afoguei
Das lágrimas renasci, pois antes com elas padeci
Na saudade me fortifiquei, pois fora nela em que me mortifiquei.
