"Selos Recebidos"

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domingo, 6 de junho de 2010

"Serei Tristeza Então"


Existe em meu peito cicatriz entreaberta.
Que assim em noites de frio a dor vem e desperta.

Pela manhã sou um triste refrão pelo dia.
Quando caí a noite é na madrugada que me transformo em triste melodia.

Como se no dia em que partiu deixasse a porta que outrora abriu,
Aberta e escancarada para sentir tão somente o frio.

Não que tenha me tornado partidário da dor,
Mas foi tão somente o que deixou em troca do meu amor.

Não sou hipócrita, mas mesmo a dor tem dado algum conforto.
Dado que depois que se foi é a dor quem tem sido então meu porto.
Talvez um apelo de vida, talvez a prova de que não esteja morto.

Levou consigo muito de mim,
Inclusive o brilho no olhar que ficou a te seguir
Mesmo sem bem ver por conta das lágrimas que fizera cair

O olhar de criança desenganada
Que descobriu sem amor não ser mais nada.

Hoje estou triste, amanhã também.
Faço da dor meu maior bem.

Não tenho por que me enganar, 
Visto que seu calor não mais vem acalentar.
Então na tristeza faço meu Lar.

segunda-feira, 15 de março de 2010

"Olhos" - Janelas de nossas almas


Vejo nos olhos de uma criança a inocência de uma alma e anseio de uma vida.
Nos olhos de um idoso encontro a experiência de uma alma e a saudade de uma mocidade.

Nos olhos de um apaixonado, a ternura da paixão.
Nos olhos de quem fora deixado, a descrença e a incompreensão de algo inacabado.

Os olhos como disse são janelas da alma.
Neles estão descritos a essência de cada áurea.

Observo o Mundo com exatidão.
E nele encontro paixão.

Mas acolhida, reprimida e temerosa.
Pois o homem esqueceu-se do alimento de sua alma.

Irá se lembrar de sua necessidade, quando a saudade o consumir.
Receio que seja tarde, pois o amor que existiu pode simplesmente sucumbir.

Não esperemos por catástrofes para demonstrar compaixão.
Pois é sempre tarde quando o homem resolve agir de coração.

Como um despertador, a dor se faz necessária para se despertar.
Pois o homem, incumbido de tarefas que lhe cobrem os olhos não mais enxerga com paixão.

Paixão pela vida, que por deveras nem sempre é vivida.
E que a perda dela só resultará em saudade.
Saudade do que era vida.

Vejo dor nos olhos de quem sofre.
Esperança nos olhos de quem ama.
Inocência nos olhos de quem nasce.
E descrença nos olhos de quem nos deixa.

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