Hoje vou calar este meu pensar.
Esta vontade inquietante sobre amor e saudade falar.
Vou deixar de lado ao menos por uma noite este desejo que de certo vem a todo o momento desejar se pronunciar.
Vou falar da vida que corre nas avenidas, das vidas que estão presas na correria da massa incessante que nos dias de hoje não correm tão somente por comida.
Falo como se os olhos que tenho fossem de um passado que em verdade desconheço.
Mas aos olhos que se perdem em meios aos transeuntes que se cercam de compromissos, a ponto de se esquecerem de que seu maior compromisso é com a própria vida.
As reuniões as quais não se deve atrasar, ao projeto que não pode se postergar.
E a vida?
Cabe a ela esperar tantas atividades se findarem para poder ter seu momento de glória?
Sei como é a vida, ela é árdua e contém afazeres necessários para viver com dignidade.
No entanto, já ouvi muitos falarem outros tantos lamentarem.
Estes que trabalharam por uma vida, mesmo aos fins de semana que eram para ser de contemplação à vida.
Dias que deixaram de ser o momento em família, de saborear a vida.
Ao menos por dois dias inteiros para se descansar, retornar à família de corpo e mente, e não só de corpo exausto e mente dispersa nos afazeres do próximo dia.
Destes que sacrificaram inúmeros finais de semana, para poderem garantir o próprio sustento de sua vida.
Lamentam anos depois, que não viram a vida passar, pois estavam ocupados em demasia para garantir-lhes o sustendo de cada dia.
Não me entendam mal, sei que muitos não dispõem da facilidade de se descansar aos finais de semana.
Apenas peço que aproveitem a vida estando com saúde.
“Afinal a vida não é um relógio em que podemos fazer os ponteiros voltar.”
“.... Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido.”
Dalai Lama
